O Blog e eu

O Blog

As Notas do Turismo foram publicadas por vários anos n'A Gazeta do Iguaçu, jornal diário de Foz do Iguaçu, Paraná. Em 2003 saí do jornal. Fiquei perdido por um tempo. Daí me veio a idéia de encontrar uma maneira de continuar colocando coisas no ar. Foi quando descobri os blogs. Comecei a fazer as notas do turismo em um provedor gratuito chamado Myblogsite que logo depois anunciou que sairia do mercado. Tive poucos dias para gravar tudo o que tinha produzido e me preparar para mudar o contéudo para outro local. Encontrei o Blogspot - isso antes de que fosse comprado pelo Google. Provisoriamente trasladei boa parte do conteúdo para este blog que, mais tarde, o apelidei de "Armazém da Produção".


Quem sou?
O filme "At Play in the Fields of the Lord" - "Brincando nos Campos do Senhor" foi um grande propositor do arborismo e de qualquer coisa que tenha a ver com atividades oferecidas a turistas em árvores. Aqui na foto eu apareço em uma das primeiras tentativas de fazer o turista subir em árvores para contemplar a natureza lá do topo dela. Aqui estou no Parque Nacional Natural Amacayacu, no rio Amacayacu, na Amazônia Colombiana. Hoje escuto dizer que este parque é modelo pois conseguiu conciliar preservação e população local. O parque é habitado por Ticunas (magüta). Na época, eu era guia de turismo em Letícia, Colômbia cidade fronteiriça localizada ao lado da brasileira Tabatinga. Fui guia também em Foz do Iguaçu, Pantanal e sem ânimo de lucro guiei muita gente que visitava minha cidade quase natal: Maceió. Uma das pessoas que guiei em Maceió, sem saber quem era, foi Jeanne Moreaux. Assim vivi sempre entre guiar viajantes, dar aulas de linguas, escrever para jornais, diários pessoais e onde quer que fosse possível escrever. Sou jornalista formado, gosto de estudar cientificamente a comunicação e gosto também de viajar. Viajar é para mim uma importante reciclagem. Esse blog sobre o turismo tem essa bagagem ou antecedente.


Meus clientes remando 
 Não sei até que ponto ajudei, quer dizer se ajudei, a influenciar a direção do Parque Nacional Amacayacu, mas lembro de muitas horas de conversa tentando explicar quão importante seria que o visitante pudesse remar no interior do parque. Não demorou muito e o diretor do Parque na época, Dr. Pinto - pelo menos disso lembro, me avisou que havia adquirido umas canoas amazônicas para que pudéssemos remar. Sempre inclui o passeio a remo nos programas dos hóspedes que pernoitavam no Parque (Clientes meus remando nas canoas do dr.Pinto do PNN Amacayacu). Mais tarde e em outros lugares do Brasil comecei a defender o uso de caiaques oceânicos para expedições em rios do Pantanal, Amazonas e outros lugares. Não me dei por falta de espírito comercial. Vejo o campo ainda aberto para isso. Este caiaque onde apereço antes de começar uma navegação no lago de Itaipu, se chama Julia Butterfly Hill em homenagem a uma ativista americana que morou um ano em cia de árvore para não deixar que os madereiros derrubassem uma árvore milenar que ela batizou de "luna". Essa super nave tive que devolver por falta de condições de pagamento.

Algumas centenas de quilômetros mais para o Sul e anos mais tarde, já vendo o mundo por perspectivas diferentes, me vi sentado, um dia sobre um "salar" - um lugar no mundo onde o planeta é feito de sal. Foi em Jujuy, na Argentina, um lugar que bate forte no meu coração. Aqui incluí em meus interesses a ecopsicologia e a possiblidade de acrescentar às viagens e às excursões um "quê" do que hoje se chama "espiritual". Em território sagrado "inca" e de outras gentes, exponho a bandeira dos Povos dos Andes, a Wimpala ou Arcoíris Sagrado ao passo que penso em divulgar quanto a vida é sagrada. Esse trabalho foi levado às Cataratas do Iguaçu como um Chacra da Terra.


Aos 55 anos e sem melancolia, fazer um balanço da vida está cada vez mais fácil. Venho me interessando, cada vez mais, pelos projetos de turismo que tenham ligação com o social, a cultura, a valorização de gente, arte, expressões locais. Aqui estou na Casapueblo em Punta del Este, Uruguai. Como diz Mirta Pose, uma guia de turismo uruguaia, uma habitação "Maior que uma Casa e menor que um pueblo" (Vila), costruida por um homem muita vezes maior que ele mesmo, Carlos Páez Vilaró. Vialaró escreve, pinta, faz escultura, faz amigos e é um dos que valorizam o que é do solo uruguaio sem com isso restringir-se ao Uruguai, às Américas.

Aqui estou em Colonia del Sacramento antigamente chamada "Colonia del Santísimo Sacramento. Mais especificamente estou na Rua dos Suspiros (Calle de los Suspiros). Os negros desembarcavam aqui e se dirigiam suspirando por essas ruas rumo a seus sitios e fazendas de destino. É uma viagem de volta ao tempo aprendendo na prática a história atravessada da humanidade. É para mim uma oportunidade de lembrar os meus parentes que desembarcaram em outras latitudes, bem mais ao norte em praias mais quentes, como Porto de Galinhas e se dirigiam para regiões como os Campos dos Palmares. Um detalhe importante e holístico é ver como tudo se encaixa. Voltando a cabeça para o Sul e para o turismo atual, vi que pessoas importantes para o início do turismo na região do Iguaçu-Paraná, também foram importantes para a pequena mas antiga Colônia do Sacramento no Uruguai. Falo do Nicolás Mihanovic dono de uma empresa de navegação cujo barco trouxe os primeiros turistas para as Cataratas do Iguaçu-Iguazú à convite do Governador de Misiones, então territorio.


Seguindo o mesmo mar, para o Norte, a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro me recebe com braços abertos. No bairro chamado Catete fica a Favela Tavares Basto. É como se se tratasse de um Roteiro das Casas Brancas nas encostas do litoral do Atlântico. Aqui no topo do Morro Tavares Basto, Bob Nadkarni, um inglês construiu uma pousada, ateliê, centro de música e arte. Aqui no morro vejo uma propsta que me lembra a Casapueblo, me lembra Vilaró.
Favela, comunidade, sem drogas. Uma favela que pertence ao povo. Com a influência do Bob, a Plícia Militar ocupou oficialmente um edifício que antes servia para esconder maldades. O BOPE batalhão de operações da PM do Rio, veio morar no morro. Quando saí da casa do Bob que é também a The Maze Inn, dei de cara com aspirantes do BOPE fazendo treinamento.


O turismo é um círculo. Há roteiros das casas brancas, há roteiros ou rotas históricas, da escravidão, do Patrimonio Natural, do Patrimônio Cultural, Jesuita, Franciscano, Descobrimento, da Avistagem de Baleia, das Músicas folclóricas, da Música clássica, dos ativistas sociais o que não pode é viajar vazio.

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