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29 março 2009

Onça-pintada é atropelada no Parque Nacional do Iguaçu. Parte I: O fato


Uma onça-pintada foi atropelada na BR 469, via de acesso às Cataratas do Iguaçu, no interior do Parque Nacional do Iguaçu. O animal é símbolo da unidade de conservação e está ameaçado de extinção. O atropelador não foi identificado.

O animal foi encontrado na manhã deste sábado, 28, por funcionários da concessionária Cataratas do Iguaçu, no quilometro 27 da rodovia. Eles avisaram os técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da unidade.

Devido ao atropelamento, o Instituto proibiu, por tempo indeterminado, a entrada dos veículos de turismo no interior da unidade pelo portão de serviços até que se encontre o responsável pelo atropelamento do animal. A entrada dos turistas está concentrada pelo Centro de Visitantes. O órgão irá convocar os condutores que entraram no local pela madrugada para esclarecimentos sobre o ocorrido.

Eles calcularam que o atropelamento na madrugada, por um veículo em alta velocidade. Nesse horário somente os veículo autorizados pelo ICMBio transitam no local.

A onça-pintada foi levada pelos os técnicos do instituto até a base de pesquisa do Poço-Preto, onde foram retiradas amostras de pêlos e peles para análise laboratorial, fotografada e feita a telemetria para observar o tamanho e peso. O animal era um macho adulto saudável, com cerca de 70 quilos e quase dois metros de largura, incluindo a cauda.

(Portal H2FOZ)

02 fevereiro 2009

Parque Nacional do Iguaçu: como era antes da concessão?




Antes de primeiro de janeiro de 2000, a área de visitação do Parque Nacional do Iguaçu, quer dizer, a Área Cataratas - como dizem os argentinos, já era concessionada. As concessões na época tinham preços quase simbólicos. Tinha concessão pagando, por exemplo, R$ 500 por ano e faturando milhões. O Ibama, por meio de funcionários, cobrava o ingresso, diretamente. E o preço da entrada era R$ 2.00, depois deu um salto para R$ 6.00.

A partir de 2000, não vou falar do processo que começou por volta de 1996, as concessões passaram a vigorar sob uma nova ótica: maximização dos valores, lucro como diz o ministro Minc do Ambiente. O Governo abriu o olho e aguçou o apetite. Hoje qualquer concessão é alvo de "aluguéis" salgados. Basta ver o que a Orient Express vai pagar por mês pelo hotel. Mais de 200 mil. Além de assumir projetos ambientais, paisagismo (enterrar os fios da Copel, fazer ciclovia etc). Os preços são altos e se aproximam do iniviável em alguns casos - veja por exemplo o preço do passeio do Macuco Safari. Diz o Governo via Ibama (agora Xico Mendes) que tudo melhorou; a estrutura melhorou, o atendimento melhorou.

Nesta nota me limitarei a deixar que você vá juntando os fatos. Coloquei, lá em cima, a foto da Lanchonete Echaporã, saudosa, conhecida, famosa inclusive pelo mau serviço. Eu passei muita raiva lá (e sem querer ofender a ninguém). Veja também a foto 2, onde aparece a antiga Lanchonete Porto Canoas. Clique na foto, amplie, estude os detalhes. Não há como negar que o atual Restaurante Porto Canoas é muito melhor. Não é?

Creio que o eu digo bate com o primeiro parágrafo da entrevista feita pelo H2Foz com o diretor do parque Jorge Pegorarao. Veja o que ele diz:

H2FOZ – Por que o Parque do Iguaçu é referência em gestão administrativa?

Jorge Pegoraro – Devido aos investimentos nos últimos anos no sentido de melhorar a visitação e os atrativos, com recursos da iniciativa privada. Mais de R$ 30 milhões de empresas concessionárias foram investidos nos últimos oito anos. Ocorreu um fortalecimento na instituição com contratação de mais funcionários terceirizados, aquisição de analistas ambientais provindos dos últimos concursos públicos e também com implantação de um sistema de gestão ambiental.



NOTA: Esta é a primeira de uma série de postagens sobre o Parque Nacional do Iguaçu. Depois volto!
Texto produzido por Jackson Lima às 16:25 0 comentários Links para esta postagem

14 janeiro 2009

Os vizinhos fizeram as pazes com o Parque Nacional do Iguaçu

O título da postagem é o título de um artigo que o jornalista e fotógrafo Marcos Sá Corrêa, escreveu no O Estado de São Paulo, hoje. O artigo foi replicado em blogs e bons sites como o H2foz e celebrado em Foz do Iguaçu. Acho é bom. Realmente, uma honra sair no estado de São Paulo. Sair no jornal da metrópole. Isso, para os moradores dos arrebaldes, é muito bom. Mas eu não me impressiono. Algo foi forçado. Me acompanhe. No primeiro parágrafo eu li:

"No dia em que virou setentão (foi no aniversário do Parque), o Parque Nacional do Iguaçu nem parecia o mesmo que continuava sob o ataque de prefeitos paranaenses, em campanha para trespassá-lo com a Estrada do Colono; de guaranis, que vinham do Paraguai para invadi-lo; e de caçadores clandestinos, que nunca deixaram de considerá-lo reserva privativa de carnes exóticas.Seu aniversário foi uma dessas festas que o País raramente faz para selar o armistício dos brasileiros com o que ainda lhes resta de original em seu território. Pelo menos no sábado passado, em Foz do Iguaçu, políticos e empresários se revezaram ao microfone para homenageá-lo, tratando-o como parceiro comercial".

Não, a paz não foi feita não! Os prefeitos paranaenses, quer dizer de Serranópolis do Iguaçu, Capanema, Medianeira e outros municípios continuam querendo trespassar o Parque com a Estrada do Colono. Alguém, disse ao jornalista, que os guaranis que "invadiram" o parque vieram do Paraguai - como tudo que é ruim - armas, contrabando, índios vem do Paraguai.

E os caçadores? Continuam entrando no Parque. Nada mudou. Ou melhor, mudou. O caiteto sumiu do Parque Nacional do Iguaçu. As onças ou já se acabaram ou estão bem perto disso. O aumento da arrecadação (o que fez o PNI ficar lucrativo), não foi traduzido em aumento da fiscalização e fiscalização com ação de apoio às comunidades do entorno. Inclusive isso é o que manda o Plano de Manejo em programa e subprograma que tratam de relacionamento com a comunidade e alternativas ambientalmente saudáveis para as populações.

E não! Não tem nada de parceiro comercial não. Eu não sou parceiro comercial, não. A cada dia diminuem "os meios de vida" de quem antes vivia do Parque - falo das populações locais e não dos concessionários nacionais, transnacionais e intercontinentais.

E não! Está havendo um erro. O evento que causou uma explosão na população de Foz do Iguaçu se chamou "Itaipu - a hidrelétrica" durante sua construção no final dos anos 70 e não a criação do Parque em 1939. Antes tivesse sido!

Outras ações mencionadas no artigo, como a criação de um acervo fotográfico chamada Memória das Cataratas, isso é bom mesmo. Deve ser creditada à equipe do diretor da Unidade, Jorge Pegoraro, que, embora nunca tenhamos nos encontrado, é uma pessoa sensível. Nisso parabéns. Eu até acredito que ele é uma vítima dos grandes cérebros - infelizmente paranaenses - por trás do modelo implantado desde 2000 e que será levado ao resto do Brasil como "O modelo" - assim com artigo definido.

Conheça as próximas vítimas: Parque Nacional Chapada Diamantina (BA), Parque Nacional Chapada dos Guimarães (MT), Parque Nacional Chapada dos Veadeiros (GO), Parque Nacional Lençóis Maranhenses, Parque Nacional Pantanal MT e MS), Parque Nacional Serra da Canastra (MG), Parque Nacional Serra da Capivara (PI), Parque Nacional Sete Cidades (PI) e Parque Nacional Ubajara (CE). Ao longo do ano, eu vou abrindo o jogo. Veja noticia onde o ministro Mink, do Ambiente Lucrativo anuncia o Plano.
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