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01 abril 2009

Problemas no Parque Nacional do Iguaçu: morte da onça e caçada às bruxas



Fila de ônibus para entrar no Parque Nacional na Semana Santa. Foto "Bairronauta" (Jackson Lima)2008

Saiu na imprensa hoje que taxis e vans de turismo estão proibidos de entrar no Parque Nacional do Iguaçu. Segundo o material elaborado e assinado por minha colega Fabiula Wurmeister da Gazeta do Povo em Foz, "a restrição prevista no Plano de manejo da Unidade desde 1999 só passou a ser respeitada após a morte do animal".

Mais adiante, a matéria lembra que "além do Plano de Manejo, o contrato de Concessão para exploração do Hotel das Cataratas, dentro da reserva, também prevê, entre outros, que o transporte de funcionários e hóspedes seja feito com ônibus semelhantes aos que levam turistas às Cataratas".

Mais adiante ainda a matéria lembra que a data para a efetivação da medida seria 1° de abril de 2009. A partir daqui segue alguma coisas que questiono:

O Plano de Manejo previu sim um meio de transporte único para o interior do Parque Nacional do Iguaçu - quer dizer, não todo o PNI só o trecho da BR 469 entre o portão de entrada e o Porto Canoas.

1) Se o Plano de manejo é quem manda no Parque Nacional do Iguaçu, como foi possível conceder o Hotel das Cataratas, se o Plano de Manejo é contrário a existência de um hotel no Parque Nacional do Iguaçu e não ofereceu idéia nenhuma do que fazer com o hotel, limitando-se apenas a dizer que a cidade (Foz do Iguaçu) é bem servida de hotéis?

2) Simples: o transporte de hóspedes e funcionários do Hotel das Cataratas que deve ser feito pelo Hotel em ônibus similares aos que levam turistas, graças ao contrato de concessão, não é previsto no Plano de Manejo. A concessão em si não era prevista. Tal transporte do hotel seria mais um meio de transporte além do "transporte único". Como aconteceu isso?

3) A morte da onça acontece quatro dias antes da data de vigência da proibição de veículos ligadas à operação do transporte do contrato de concessão e acontece, para o azar ainda não sei de quem, quando o chefe da unidade, Jorge Pegoraro, está viajando.

4) Há muita coisa que o Plano de Manejo não prevê e que se está fazendo no interior da Unidade. Exemplos: o Plano de Manejo não prevê a existência de "Luaus nas Cataratas". Prevê sim passeios em noites de lua cheia limitados a cinco grupos de vinte pessoas por noite. Quem autorizou os luaus?

5) O Plano de Menejo não previu ou prevê a existência de rafting, rapel ou canyoning no cânion do rio Iguaçu. Escaladas eram previstas no Salto do Macuco próximo à Caverna ou Gruta do Morcego. Quem mudou? Como?


6)O Plano de Manejo pede sugere uma pesquisa entre os dois parques nacionais (Iguaçu/Iguazú) para saber se o passeio do Macuco deve ser proibido na piracema. Por que não se fala sobre isso? Será porque o Macuco é uma boa concessão?

7) Houve uma licitação feita pelo Ibama para a construção de um heliporto próximo à Garganta do Diabo, ou mais extamente ao lado do Restaurante Porto Canoas. A licitação foi ganha. O heliporto foi construido. E isso violando uma Declaração Conjunta presidencial (Brasil/Argentina), posicionamento contrário do Plano de Manejo. Como foi possível fazer tal licitação? Que milagre foi feito. O heliporto foi parado, mesmo com licitação, após denúncia.

8) Desde que entrou em vigor o Plano de Manejo deveria ter sido vedada a entrada de veículos e especialmente ônibus. Hoje, em feriados como vai vir agora no final de semana, Pascoa, chegam grandes quantidades de ônibus. E, infelizmente, todos entram, com o mostra a foto acima que tirei na semana Santa de 2008 (leia texto que escrevi no dia) Isso acontece porque os ônibus da concessionária não têm capacidade de transportar todo mundo. O Parque Nacional do Iguaçu, o turismo, a comunidade, de Foz e do entorno, têm que achar o que Plano de Manejo sugere, ordena, instrui: Discutir alternativas para as atividades do entorno. É isso que peço há muitos anos.

9)Já chamei a atenção para esta questão antes. O Plano de Manejo que foi feito sob uma visão de ecoturismo definiu até que houvesse novas pesquisas o número de visitantes do Parque Nacional do Iguaçu (ou seja das Cataratas do Iguaçu) como sendo equivalente à capacidade de transportes dos ônibus da concessionária Cataratas do Iguaçu S.A. Interpretando posso dizer que a concessionária tem oito ônibus cada um transportando, digamos 60 passageiros (pode ser 70). Dez viagens leva 600 passageiros. Se não me falha a matemática, 100 viagens levaria 6.000. Essa seria a capacidade dos ônibus se pudessem fazer 100 viagens. No lado argentino onde o mesmo modelo foi adotado, o transporte é um trenzinho engonosamente chamado "Tren de la Selva". O comboio leva de uma vez 350 passeiros. Dez viagens transportaria 3.500. Cem viagens significaria 35.000. Esses números não estão disponíveis. Uma vez, em uma reunião especializada chegou-se a um número de 600 e poucos mil turistas por ano como a capacidade de transportes da Cataratas S.A. Então se Plano de Manejo aponta para uma redução do número de visitantes às Cataratas, por que todos os anos, a direção do Parque celebra o aumento de visitantes?

10) Tem mais: há um empurra-empurra de um monte de coisas. O mais novo ator na novela das concessões do Parque Nacional do Iguaçu é o Hotel das Cataratas sob a bandeira da Orient Express. Muitas das "sugestões" do Plano de Manejo que deveriam ter acontecido desde 1999, pelo que se deu a entender, pela única Concessionária prevista, foi passada para a Orient express. Entre outras: a construção de uma a ciclovia e o "enterramento" da linha de alta tensão da Copel. Para as costas da Orient express foi empurrada a Pesquisa sobre as Onças ligadas ao Projeto Carnívoros ou seja lá qual for o nome adotado hoje (veja matéria / anúnico da Pesquisa pela Orient express).


Penúltima coisa: o Plano de Manejo pede? Ordena? Sugere? O que faz o PLano de Manjeo. Pelo que vi, depende. Se o pessoal do PNI erra, dizem: o Plano de Manejo sugere. Se quem erra é o cidadão, o discurso muda: O Plano de Manejo ordena!


Última coisa: estou dizendo tudo isso na esperança de que a morte da onça nos ajude a fazer um turismo de qualidade onde o trade possa oferecer seus serviços com regras claras e imparciais.

Obs.: Acompanhe a questão no Blog de Foz!

13 março 2009

Guias de Turismo da Argentina serão fiscalizados

Atenção repico aqui nota da secretarioa de Turismo de Foz do Iguaçu. Na fronteira é assim: bateu levou. Alerto para o troco que deverá sair logo e incluir o Parque Nacional Iguazú por problema parecido com parágrafo seguinte.Alerto também que problemas com guias de turismo brasileiros no Parque Nacional do Iguaçu (brasileiro) logo vão aparecer por conta da Instrução Normativa Número 8 que você pode ler AQUI mesmo no Notas do Turismo. É só para avisar (J.Lima)



A equipe da Secretaria Municipal de Turismo e Sindicato de Guias de Turismo de Foz do Iguaçu promoveu uma reunião com a Associação de Guias de Turismo Yguazú – AGUIATY, de Puerto Iguazú/Argentina. Na pauta foi discutido sobre a fiscalização que vem sendo feita em Foz nos veículos de turismo que transitam na cidade com grupos de turistas e estes devem estar acompanhados por guias de turismo regional, ou seja, do Paraná e com documentação regularizada pelo Ministério do Turismo. O encontro aconteceu na segunda, dia 02 de março, na cidade argentina e contou com toda a diretoria da associação.

O encontro teve como objetivo propor aos dirigentes sindicais que os guias de turismo de Iguazú sejam conscientizados sobre a fiscalização e que todos possuam a regulamentação e possam trabalhar conforme determina a lei, sem causar prejuízos na qualidade do turismo de ambos os destinos. Durante a reunião o Secretário de Turismo, Felipe Gonzalez propôs a AGUIATY que a fiscalização seja feita tanto com guias brasileiros como os argentinos, uma vez que os profissionais conduzem grupos nos atrativos turísticos, no lado brasileiro e argentino. “Infelizmente temos muitos guias trabalhando sem a devida capacitação e isso prejudica a qualidade da recepção dos turistas. Sabemos que se um visitante sair insatisfeito trará resultados negativos para o destino, por isso, é necessário tomar medidas que regulamente os profissionais dos dois lados da fronteira”, fortalece Felipe Gonzalez

14 janeiro 2009

Os vizinhos fizeram as pazes com o Parque Nacional do Iguaçu

O título da postagem é o título de um artigo que o jornalista e fotógrafo Marcos Sá Corrêa, escreveu no O Estado de São Paulo, hoje. O artigo foi replicado em blogs e bons sites como o H2foz e celebrado em Foz do Iguaçu. Acho é bom. Realmente, uma honra sair no estado de São Paulo. Sair no jornal da metrópole. Isso, para os moradores dos arrebaldes, é muito bom. Mas eu não me impressiono. Algo foi forçado. Me acompanhe. No primeiro parágrafo eu li:

"No dia em que virou setentão (foi no aniversário do Parque), o Parque Nacional do Iguaçu nem parecia o mesmo que continuava sob o ataque de prefeitos paranaenses, em campanha para trespassá-lo com a Estrada do Colono; de guaranis, que vinham do Paraguai para invadi-lo; e de caçadores clandestinos, que nunca deixaram de considerá-lo reserva privativa de carnes exóticas.Seu aniversário foi uma dessas festas que o País raramente faz para selar o armistício dos brasileiros com o que ainda lhes resta de original em seu território. Pelo menos no sábado passado, em Foz do Iguaçu, políticos e empresários se revezaram ao microfone para homenageá-lo, tratando-o como parceiro comercial".

Não, a paz não foi feita não! Os prefeitos paranaenses, quer dizer de Serranópolis do Iguaçu, Capanema, Medianeira e outros municípios continuam querendo trespassar o Parque com a Estrada do Colono. Alguém, disse ao jornalista, que os guaranis que "invadiram" o parque vieram do Paraguai - como tudo que é ruim - armas, contrabando, índios vem do Paraguai.

E os caçadores? Continuam entrando no Parque. Nada mudou. Ou melhor, mudou. O caiteto sumiu do Parque Nacional do Iguaçu. As onças ou já se acabaram ou estão bem perto disso. O aumento da arrecadação (o que fez o PNI ficar lucrativo), não foi traduzido em aumento da fiscalização e fiscalização com ação de apoio às comunidades do entorno. Inclusive isso é o que manda o Plano de Manejo em programa e subprograma que tratam de relacionamento com a comunidade e alternativas ambientalmente saudáveis para as populações.

E não! Não tem nada de parceiro comercial não. Eu não sou parceiro comercial, não. A cada dia diminuem "os meios de vida" de quem antes vivia do Parque - falo das populações locais e não dos concessionários nacionais, transnacionais e intercontinentais.

E não! Está havendo um erro. O evento que causou uma explosão na população de Foz do Iguaçu se chamou "Itaipu - a hidrelétrica" durante sua construção no final dos anos 70 e não a criação do Parque em 1939. Antes tivesse sido!

Outras ações mencionadas no artigo, como a criação de um acervo fotográfico chamada Memória das Cataratas, isso é bom mesmo. Deve ser creditada à equipe do diretor da Unidade, Jorge Pegoraro, que, embora nunca tenhamos nos encontrado, é uma pessoa sensível. Nisso parabéns. Eu até acredito que ele é uma vítima dos grandes cérebros - infelizmente paranaenses - por trás do modelo implantado desde 2000 e que será levado ao resto do Brasil como "O modelo" - assim com artigo definido.

Conheça as próximas vítimas: Parque Nacional Chapada Diamantina (BA), Parque Nacional Chapada dos Guimarães (MT), Parque Nacional Chapada dos Veadeiros (GO), Parque Nacional Lençóis Maranhenses, Parque Nacional Pantanal MT e MS), Parque Nacional Serra da Canastra (MG), Parque Nacional Serra da Capivara (PI), Parque Nacional Sete Cidades (PI) e Parque Nacional Ubajara (CE). Ao longo do ano, eu vou abrindo o jogo. Veja noticia onde o ministro Mink, do Ambiente Lucrativo anuncia o Plano.
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