18 outubro 2006

É complicado

Nos Estados Unidos há alguns movimentos interessantes. Os negros, os latinos, os índios e muitos outros grupos acusam a movimentos como o "ambientalismo", o "ecoturismo", a idéia de troca de dívida por conservação, a
conservação em si, e agora idéias mordedoras de bolsos como o "seqüestro de carbono" como sendo "coisa de branco anglo-saxão, protestante desviado, classe média, mimados, imperialista e de visão unilateral".
Algumas formas de turismo também entram na categoria: uma delas é o ecoturismo com seu trekking, observação de pássaros e outras modalidades que atraem grandes contingentes de pessoas, a maioria brancos, anglo-saxões, classe média etc. O índio diz que não precisa fazer ecoturismo. O negro que vem da África tampouco precisa. O oriental ligado à yoga diz que não é preciso sair de onde está para ter paz e aliviar a cabeça. E então tudo isso é coisa mesmo de classe média mimada?
E dentro do Brasil? Como fica? No meu ver, a coisa se repete. São Paulo é o maior pólo emisor de turistas no estilo ecoturismo, trekking, bicicleta, observação de pássaros, natureza e assim etc embora seja também um grande emissor de turismo de massa. Mas em grande parte do Brasil, a única observação de pássaro que se faz é com estilingue na mão ou é, ainda, a ornitologia gastronômica. Tuiuiú dá pra comer? O Patão é bom com macarrão?
Sinto que no adaptar o turismo para o Brasil, a gente sofre. As idéias anglo-saxônicas, classe média mimada quando chegam aqui mudam. Ecoturismo, por exemplo é uma idéia que nunca decolou. Se confunde ecoturismo, com turismo aventura, com turismo atividade, turismno radical e no final terminamos adotando um modelo depredatório terrível. Veja Florianópolis, Camboriú - só para ficar no Sul, onde se aterra mangue para fazer eco resorts, ecolodges, eco-qualquer-coisa.
Nas próximas notas, farei uma análise da oferta de turismo na Inglaterra. Teremos uma idéia que o mundo é muito complicado. O turismo é complexo. Mas antes de chegar lá, acrescento o segunte: que profissional é o bom do turismo? O agente de viagem? O operador? O hoteleiro? O professor de turismo? O político que assumiu um ministério? O ministério e os tecnocratas? O turismólogo? A cozinheira do hotel? A cabeleireira? O rapaz da manutenção?
Meu faro indica que a resposta pode exigir uma união de todos para entender. Não estou falando para programar ainda. Há uma interdependência fantástica. Mas quando todo mundo quer ser bom, não chega-se a lugar nenhum - inclusive jornalistas de turismo. Ou raça!

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