21 dezembro 2006

Céus Nublados



A Comissão Européia anunciou, dia 20, que vai estabelecer cotas de emissão de dióxido de carbono paras as companhias aéreas européias já a partir de 2011. E para todas as empresas estrangeiras que voem para a Europa, a partir de 2012. A proposta ainda deve ser aprovada pelo Parlamento Europeu e os países membros.

A cota seria uma maneira das linhas aéreas contribuir para a diminuição do dióxido de carbono (CO2), gás que ajuda a destruir a camada você sabe de quê e dá uma mão importante para transformar a Terra em um forno. A decisão desagrada a ambientalistas e empresários do setor da aviação. Para os ambientalistas, a cota não ajuda em nada. É um truque de mercado ou, como eu digo, um truque do “picaretismo neo-liberal” (leia este texto mais sério sobre o assunto.) Para as empresas é mais uma tentativa de enfiar a mãos nos bolsos delas.

A emissão de dióxido de carbono das linhas aéreas, segundo a Comissão Européia, só representa 3% das emissões globais. Mas o que preocupa aos membros da Comissão é que desde 1990, a emissão causada pelo setor aumentou 87%. O Protocolo de Quioto exige que os países industrializados cortem a emissão de seis gases que causam o efeito estufa em 5.2% entre 2008 e 2012. Mas 5.2% em cima de quê? Em cima da emissão de 1990. Os gases são carbono (CO2),metano (CH4), óxido nitroso (NO2), os hidrofluorcarbonos (HFCs), os perfluorcarbonos (PFCs) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).

Parlamentares europeus estão preocupados. O futuro pode indicar o fim dos vôos baratos. E os sábios parlamentares acham que quem vai bancar a cota é o passageiro. Até agora se trabalha com a possibilidade de que a cota aumente o preço da passagem, dentro da Europa, na casa dos 9 euros. Membros da Associação Européia de Linhas Aéreas acham que esta armação só vai pegar as empresas européias. “Duvido que o Japão e os Estados Unidos embarquem nessa” – disse Françoise Humbert , não necessariamente nesses termos.

A IATA – Associação Internacional do Transporte Aéreo que congrega 269 linhas aéreas disse que pode aceitar a cota desde que a coisa seja feita de maneira correta. O diretor geral da IATA é Giovani Bisignani. Uma das preocupações de Bisignani me preocupa também. Segundo ele, a Europa tem 34 centros de controle aéreo. Os Estados Unidos só têm um. Ele aponta para a possibilidade de esculhambação (não necessariamente nesses termos) e falta de eficiência no controle de quem está emitindo o quê, quanto, onde e na cara de quem? Quando se fala em esculhambação de controle aéreo, eu me lembro do Brasil e tremo nas bases.

Depois continuo com as "Notícias Interpretadas" - onde todos falam não necessariamente nos termos. Se desejar se aprofundar no mercado da poluição leia este texto de Amyra El Khalili. E já que falamos de emissão de jatos, um estudo dirigido por Ryan Schriner revela que um quarto do querosene de aviação do mundo é gasto em usos militares. Sobram três quartos para as 269 empresas da IATA, as empresas de charters,carga, taxis aéreos, ambulâncias do ar, aviões deportivos etc. Diz ainda que 2 terços do gas CFC-113 lançado na atmosfera se origina no uso militar. Só para ver o tamanho do rolo. FUI.

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