10 julho 2012

Contribuição para uma história do turismo na fronteira II

Este material é uma continuação da parte I que foi publicada no Caderno do Turismo da Gazeta do Iguaçu em comemoração ao Dia do Turismo de 2010.


O Turismo da fronteira não começou ontem e nem nasceu em chocadeira


Assim como o turismo não nasceu de chocadeira, não apareceu de uma hora para outra, a história de Foz do Iguaçu, no meu ver, não começa com a chegada dos homens que iriam implementar a Colônia Militar do Iguassu. Antes da chegada da equipe pioneira que abriu a “Estrada Estratégica”, a região da foz do rio Iguaçu onde um dia existiria a cidade de Foz do Iguaçu, já era conhecida. Prova disso é o fato da expedição do tenente José Joaquim Firmino ter encontrado aqui, em 1889, uma população residente de 324 pessoas – a maioria estrangeiros. Muita gente ia e vinha entre a foz e Posadas inclusive gente do Rio de Janeiero e outras bandas do Brasil. Indo direto ao assunto, minha proposta é recuperar o “link” entre a foz do Iguaçu e a cidade de Posadas que era a capital da navegação, exploração, exportação da erva mate e a madeira.

Antes de ser Posadas, a terra onde hoje está a capital "misionera" teve vários nomes. Mas eu chamo a atenção para o nome Trinchera que quer dizer Trincheira. Entre outros, esses foram os nomes de Posadas: "Rinconada de San José", "Garganta de San José" ou "Tranquera de San José". Mais tarde foi conhecida como "Trinchera de los Paraguayos" (1840); e por último "Trinchera de San José (1869). Tantas mudanças de nomes denuncia a quantidade de mudanças políticas enquanto se criava os nossos modernos países. Todas as variedades de "trincheira" no nome estava ligada à guerra, planos de defesa e de ataque. Dos argentinos contra os paraguaios. Dos paraguaios contra os argentinos. E depois de argentinos, brasileiros e uruguaios contra os paraguaios. Mais tarde e tendo terminado a “Guerra do Paraguai”, a cidade passou a chamar-se Posadas foi dado em homenagem a Gervasio Antonio de Posadas, o diretor das Províncias Unidas do Río da Prata

Minha meta aqui não é contar a história de Posadas. O que me interessa são alguns capítulos da história de Posadas, desde a época das "trincheras" que tem a ver com a foz do rio Iguaçu, passando pela Guerra da Tríplice Aliança e até mais recentemente. Lembro que o que chamamos Guerra do Paraguai eclodiu em 1865 e durou até 1870 o que significa que a Guerra começou 24 anos antes da chegada de José Joaquim Firmino. O que vou dizer agora, me faz lembrar da novela de Saul Below, The Dangling Man (1944) na qual o personagem, que aguardava o chamado para ingressar na Marinha dos EUA era humilhado por quem acha que ele era um preguiçoso encostado na mulher. Eram os hipócritas para quem ele olhava da janela e via aquele mundo que se desenvolvia onde todos sem saber “eram beneficiários da guerra”. Com a declaração da guerra, os exércitos aliados transformaram Trinchera de San José em base avançada. Naquela época, os exércitos necessitavam de “fornecedores” e os fornecedores seguiam os exércitos levando mercadorias, alimento, víveres e produtos necessários entre eles cavalos, muares, burros para o transporte. Nesta proposta de história do turismo da região, não me interessa agora discorrer, como eu gostaria, sobre todos os fornecedores das forças armadas aliadas. Vou me concentrar nos fornecedores uruguaios ou em um dos fornecedores uruguaios.

Don Leandro Arrechea 
Segundo fontes argentinas, os exércitos aliados chegaram à Trinchera de San José em 1864 e lá estava o 24º Batalhão de Infantaria a Cavalo do Exército Imperial do Brasil. A força uruguaia chegou comandada pelo general Venancio Flores. O exército uruguaio teve papel importante na expulsão dos paraguaios e para isso contou com os mantimentos garantidos pelos seus fornecedores. Um deles se chamava Alfonso Arrechea – espanhol de nascimento. Mas além de espanhol, ele era Vasco do Vale do Baztan em Navarra. A mulher dele, Horlanda Machado era brasileira. Antes de vir para Misiones, Arrechea se estabeleceu em Maldonado, Uruguai. Com Alfonso Arrechea vieram os filhos Antonio, Alfonso II, Luis, Epifanio e Luísa. Em Posadas nasceram Leandro, Amelia, Floriano, Vicente, César Augusto e Fidel. De novo reduzindo o meu foco, me interessa neste relato o menino Leandro.

O que me chama a atenção nesta estória é a entrada triunfal dos vascos na região selvática das Missões. Deixe-me lembrar que eu incluo o atual lado brasileiro na Terra das Missões. Ou seja, Foz do Iguaçu é parte da grande história das missões – claro que do outro lado. Mais tarde, já no começo dos anos 1900, nós vemos a entrada de Leandro Arrechea na região da foz do rio Iguaçu – ele aparece como o proprietário do El Gran Hotel de Don Leandro Arrechea (foto acima). Arrechea virou nome de um Salto no complexo de saltos nas Cataratas do Iguaçu. É o salto que fica no final da Trilha do Macuco pelo lado argentino.    

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