06 janeiro 2006

Alô 2006

Parece que o Governo da Província de Misiones (Argentina) pirou de vez. Misiones quer "desenvolvimento" a qualquer custo. Além de promover madereiras, hidrelétricas e túneis para levar água para a Urugua-í, Misiones está namorando a hotelaria internacional. Segundo informações da revista "Agente de Viajes" ( de Buenos Aires) seriam 12 hotéis só na selva ou floresta de Yriapu. Para quem não sabe, a "floresta" de Yriapu não é nada mais nem nada menos do que as 100 hectares de terra dos guaranis, próximo à Ponte Internacional Tancredo Neves entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú ou, em outras palavras, Brasil e Argentina ( ou Argentina - Brasil).
Está para sair aquele balão a hélio que vai levantar turistas do solo, para ver a região do alto. Também em Puerto Iguazú. Parece que o balão poderá sair do chão nos próximos meses. Não sei se serão dois, ou três, ou cinco. Dizem que é para já. Logo, um pouco mais adiante, no lado brasileiro, haverá a Torre do empreendimento no Marco das Três Fronteiras. Terá 100 metros de altura. E, como pouca torre é pouca, há um projeto também que incluirá uma torre de 100 metros no lado paraguaio da fronteira. Está faltando conversa e integração entre os promotores dos projetos?
É bom que não se repita o "sucesso" das tirolesas, cordas nas árvores que estão pipocando no mundo todo. Em Foz do Iguaçu as tirolesas estão pipocando em todos os hotéis. Estou sabendo que gente que realmente entende de tirolesa, não está gostando da proliferação de tal sucesso.
Para não esquecer Misiones, a quem dedico as primeiras notas de 2006, fontes muito bem informadas comentaram que o ministro de turismo de Misiones, Jorge Betaglia teria dito que está tudo pronto para a construção de um hotel internacional (Hyatt?) bem em frente ao que o povo chama de Garganta do Chifrudo. O empreendimento ou crime ambiental custará alguns milhões de dólares. Seria o segundo hotel dentro do PNI, lado argentino. Não basta o horroroso "Sheraton" a desvirtuar o cenário natural, agora vem mais um. Vem mesmo? A desculpa é que parte da terra da área de visitação do Parque Nacional pertence à província e não à Nação - ou a la Nación.
No Brasil há um problema similar com as 1.008 hectares orginais do PNI que ainda seria, tecnicamente, do Paraná. Viram? Problemas semelhantes!
E se no lado brasileiro, conseguirmos construir mais uma hidrelétrica, a chamada Hidrelétrica do Baixo Iguaçu, teremos dado um passo importante para o "progresso" de nossos países. Para completar faltam duas coisas mais. A reabertura da Estrada do Colono e a inauguração do Heliporto no Parte Nacional Iguaçu, Brasil. Escutei que vários vôos ocorreram nos últimos dias - especialmente durante a celebração da farsa do milhão de turistas. São as turbinas esquentando.
Logo, não haverá mais motivo para que os turistas venham à esta região cercada de hidrelétricas, favelas, sojais, eucalíptos, pinus e de muitas manobras políticas imediatistas e de um ambiente cada vez mais doente.
E o turismo de verdade? E o marketing de serviço - ou seja aquele serviço que é tão bom que vira marketing? Eu ouvi uma pessoas descendo o sarrafo nos serviços de algumas empresas grandes da região e que estão celebrando o milionésismo turista.
Bem por hoje basta!

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