25 março 2010

Visões diferentes: como ver coisas fantásticas que a Natureza esfrega nos nossos narizes!


Esta foto por Tom Stephenson disponibilizada no site wordlbirder.com mostra o que Foz do Iguaçu não vê. Por quê? Terá quer ser estrangeiro para ver?


Não me lembro quem era o autor. Assim me impossibilito de fazer citação. Deveria! Lembro que era uma discussão linguística sobre como diferentes idiomas e povos vêem coisas similares de modo diferentes. Por exemplo, o beija-flor se chama pica-flor em espanhol, pique-fleur em francês e hummingbird em inglês. O português usa uma visão romântica onde ele vê o beija-flor beijando as flores do jardim. Na realidade ele não está beijando - não há nada romântico. Ele está se alimentando. Já o espanhol e o francês enxergam somente o ato de "picar" a flor e o inglês nem isso. O que chama a atenção do falante de inglês é o barulho (hum-hum que para nós é mais vrum-vrum) do beija-flor naquele voo baixo parado dele.
Me parece que temos a mesma coisa quando tratamos, na fronteira, com o Parque Nacional do Iguaçu pelo Brasil e o Parque Nacional Iguazú pela Argentina. O animal que simboliza o PN Iguaçu (Brasil) é a onça-pintada. Um animal grande, topo de linha na cadeia alimentícia e ocupante de um lugar privilegiado nas mitologias das Américas. Na realidade a onça é sua majestade, o maior que pode haver e se alguém não a vê, como é caso da "civilização" que hoje paga aluguel para habitar nas Américas, é porque é cega - não deficiente visual - digo, cega. Esta é a logomarca do Parque Nacional do Iguaçu. A onça da qual estamos falando e - a hora não é muito boa para falar de onça na fronteira - é o símbolo do Parque. Qual é responsabilidade dos administradores do Ibama / ICMBio em escolher a onça como símbolo do Parque Nacional do Iguaçu? Eis uma boa pergunta! Há alguma? Deixo que sua cabeça dê voltas para responder.
Já no lado Argentino, o símbolo é o "vencejo" que nós chamamos de andorinhões e que os falantes de inglês chamam de "swifts". Por que os andorinhões (não são andorinhas), também chamados de taperuçus de cascata, não chamam a atenção dos brasileiros? Eles são, para mim, o maior acontecimento nas Caratatas do Iguaçu depois das Cataratas. Há anos, em meu primeiro texto xamânico escrevi: "...assisto o voar de centenas de pássaros – são os taperuçus de cascata – que dançam no gozo vaporoso; elevam-se aos céus, até onde o vapor chega e de lá, despencam, de cabeça, como se fossem setas a apontar para a origem da grande sensação. Os incautos dizem que os taperuçus têm vôos suicidas. Enganam-se. Não é um vôo suicida. É [um] mergulho na vida ..." O texto xamânico a que me refiro é este!

Me empolgo e compartilho e divulgo o trabalho do fotógrafo Mark Piazzi que como Stephenson é observador de pássaros e colabora com o site worldbirder.com. Veja a simbiose dos taperuçus com a rcoha das Cataratas! Veja os poros da rocha! Sinta a Terra respirar!

Um comentário:

Victor disse...

gostei da materia

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